top of page

ENTRE A FICHA TÉCNICA E A CONFIANÇA: SEIS TRAILS LEVES DIANTE DA MESMA ESTRADA

  • Foto do escritor: Vinícius Brandão
    Vinícius Brandão
  • 18 de jul.
  • 13 min de leitura

DAFRA NH 190 desafia Honda, Yamaha, Haojue e Shineray com mais potência e equipamentos, mas a compra de uma moto não termina na ficha técnica

Na porta da concessionária, todas elas prometem praticamente a mesma coisa: economia, liberdade, capacidade para enfrentar ruas esburacadas e coragem suficiente para sair do asfalto quando a estrada exigir.

Honda XRE 190, Honda NXR 160 Bros, Yamaha Crosser 150, Dafra NH 190, Haojue NK 150 e Shineray SHI 175 pertencem ao mesmo universo das trails leves, mas chegam ao consumidor carregando histórias, reputações e propostas muito diferentes.

Uma vende tradição. Outra aposta na potência. Há quem ofereça preço baixo, quem cobre caro pela tranquilidade e quem tente provar que uma motocicleta chinesa já não pode ser julgada pelos preconceitos construídos há duas décadas.

Por isso, comparar apenas cilindrada e cavalaria seria simples demais. O consumidor não compra somente um motor. Compra também a rede de concessionárias, a facilidade para encontrar peças, a qualidade do pós-venda, o valor de revenda e a confiança de que a marca continuará presente quando a garantia terminar.

UMA OBSERVAÇÃO NECESSÁRIA SOBRE VELOCIDADE E PESO

As fabricantes normalmente não divulgam velocidade máxima oficial nem estabelecem uma “velocidade de cruzeiro” homologada. As faixas apresentadas nesta matéria são estimativas editoriais baseadas na potência, no peso, na relação de marchas e no comportamento esperado de cada conjunto.

A velocidade máxima indicada no painel também pode ser superior à velocidade real registrada por GPS. Vento, peso do piloto, bagagem, altitude, combustível, amaciamento e inclinação da pista alteram significativamente o resultado.

Há ainda diferenças na forma de divulgação do peso. Algumas marcas informam peso seco, enquanto outras apresentam a motocicleta abastecida e pronta para rodar. Portanto, não se deve comparar esses números como se fossem medidos exatamente nas mesmas condições.

DAFRA NH 190: A CAMPEÃ DA FICHA TÉCNICA PRECISA VENCER A BATALHA DA CONFIANÇA

A Dafra nasceu no Brasil em 2007, criada pelo Grupo Itavema. É, portanto, a marca mais jovem desta comparação no mercado nacional e a única que surgiu originalmente como uma empresa brasileira. Seu modelo de atuação sempre esteve ligado a parcerias internacionais e à utilização de projetos desenvolvidos por fabricantes asiáticos.

Quase duas décadas depois, a Dafra ainda enfrenta um paradoxo. Consegue colocar nas concessionárias motocicletas tecnicamente competitivas, mas continua distante da força comercial, da capilaridade e da valorização de usadas observadas em Honda e Yamaha.

A NH 190 é o melhor exemplo disso.

Seu motor possui 183 cm³, entrega 18 cv a 8.500 rpm e torque de 1,6 kgfm a 7.500 rpm. Tem refrigeração líquida, injeção eletrônica e câmbio de seis marchas. Entre todas as motos desta comparação, é uma das poucas que realmente apresenta um conjunto mecânico pensado para trabalhar com maior folga em rodovias.

Também oferece iluminação integral em LED, entrada USB, protetor de motor e freios a disco com ABS nas duas rodas. O tanque comporta 11 litros e a garantia anunciada para o modelo 2026 é de três anos. O preço sugerido é de R$ 19.990, já com frete incluído.

Números da NH 190: 183 cm³; 18 cv; seis marchas; 140 kg de peso seco; assento a 810 mm do solo; altura total de 1.180 mm; comprimento de 2.068 mm; distância livre do solo de 170 mm; pneu dianteiro 100/90-19; pneu traseiro 130/80-17; tanque de 11 litros; preço sugerido de R$ 19.990 com frete.

Velocidade estimada: cruzeiro confortável entre 90 e 105 km/h; máxima indicada entre aproximadamente 125 e 135 km/h, dependendo das condições.

A NH possui o banco mais baixo da comparação, característica excelente para pilotos de menor estatura. Também utiliza pneus mais largos, transmitindo sensação de maior porte e estabilidade no asfalto.

Seu estilo está mais próximo de uma crossover urbana com inspiração aventureira do que de uma trail destinada ao fora de estrada pesado. A distância livre do solo de apenas 170 mm é significativamente menor que a das principais concorrentes. A própria documentação do modelo destaca uma utilização prioritariamente voltada às vias pavimentadas.

Na prática, a NH 190 entrega mais motor, mais marchas, refrigeração líquida e ABS nas duas rodas por menos dinheiro que Bros, Crosser e XRE 190.

A conta parece encerrada, mas não está.

A Dafra ainda precisa convencer o consumidor sobre disponibilidade regional de peças, uniformidade do atendimento, quantidade de concessionárias e valor de revenda. Uma NH 190 pode ser a melhor compra técnica para quem possui uma boa concessionária Dafra por perto, mas pode se tornar uma escolha menos confortável em cidades onde a assistência autorizada é distante.

A moto venceu a prova da engenharia no papel. Agora precisa vencer a prova do tempo.

HONDA XRE 190: A MOTO QUE VENDE TRANQUILIDADE ANTES DE VENDER POTÊNCIA

A Honda foi fundada no Japão em 1948. Chegou comercialmente ao Brasil em 1971 e iniciou a fabricação de motocicletas em Manaus em 1976, tendo a CG 125 como um dos pilares de sua expansão nacional. Em fevereiro de 2026, a empresa anunciou ter ultrapassado 32 milhões de motocicletas produzidas no país. No mundo, alcançou a marca acumulada de 500 milhões de unidades produzidas em 2025.

Esses números ajudam a explicar por que uma Honda não é comprada apenas pela motocicleta. O consumidor paga também por uma estrutura construída durante mais de cinco décadas no Brasil.

A XRE 190 utiliza motor flex de 184,4 cm³, refrigerado a ar, com até 16 cv a 8.000 rpm e torque máximo de 1,66 kgfm a 6.000 rpm. O câmbio possui cinco marchas, o tanque comporta 12 litros e o peso seco é de 128 kg.

Números da XRE 190: 184,4 cm³; até 16 cv; cinco marchas; 128 kg de peso seco; assento a 836 mm; altura total de 1.167 mm; comprimento de 2.075 mm; distância livre do solo de 243 mm; pneu dianteiro 90/90-19; pneu traseiro 110/90-17; tanque de 12 litros.

A versão Standard tem preço sugerido de R$ 24.530, enquanto a Adventure parte de R$ 25.080. Os valores não incluem frete. A Honda oferece três anos de garantia e assistência por meio da maior rede de concessionárias do segmento no país.

Velocidade estimada: cruzeiro confortável entre 90 e 100 km/h; máxima indicada entre aproximadamente 115 e 125 km/h.

A XRE 190 é mais leve que a NH 190, possui distância livre do solo muito superior e apresenta uma ergonomia verdadeiramente trail. Seu banco de 836 mm ainda é acessível para boa parte dos pilotos, embora seja 26 mm mais alto que o da Dafra.

O motor Honda tem menos potência e uma marcha a menos, mas entrega o torque máximo em rotação mais baixa. Isso favorece respostas previsíveis na cidade e em trechos de terra, mesmo sem o mesmo fôlego da Dafra em velocidades rodoviárias.

O estilo da XRE 190 é mais maduro e equilibrado. Não tenta parecer uma big trail em miniatura nem se limita à aparência de motocicleta de trabalho. Serve ao deslocamento diário, encara estradas de terra e consegue viajar, desde que o piloto compreenda os limites de um motor com 16 cv.

A diferença de preço em relação à NH 190 passa de R$ 4.500 e pode crescer quando o frete é acrescentado. Tecnicamente, é difícil justificar toda essa distância. Comercialmente, a explicação existe: a XRE oferece revenda mais fácil, rede extensa, peças abundantes e uma marca que praticamente qualquer oficina brasileira conhece.

É a compra de menor risco desta comparação, mas não é a melhor relação entre equipamentos e preço.

HONDA NXR 160 BROS: A FERRAMENTA QUE APRENDEU A PASSEAR

A história da Bros começou no Brasil em 2003, inicialmente com versões de 125 e 150 cm³. Desde então, tornou-se uma das principais referências nacionais entre as trails de entrada.

A Bros não nasceu para impressionar em uma ficha técnica. Nasceu para trabalhar, enfrentar buracos, subir calçadas quando necessário, atravessar estradas rurais e continuar funcionando com a rotina de quem depende da motocicleta todos os dias.

O motor flex possui 162,7 cm³, refrigeração a ar e entrega até 14,3 cv a 8.000 rpm, com torque máximo de 1,45 kgfm a 5.500 rpm. O câmbio tem cinco marchas e o tanque recebe 12 litros.

Números da Bros 160: 162,7 cm³; até 14,3 cv; cinco marchas; 125 kg de peso seco; banco a 836 mm; altura total de 1.151 mm; comprimento de 2.067 mm; distância livre do solo de 247 mm; pneu dianteiro 90/90-19; pneu traseiro 110/90-17; tanque de 12 litros.

A versão CBS parte de R$ 22.400, enquanto a configuração com ABS tem preço sugerido de R$ 23.390, sem a inclusão do frete.

Velocidade estimada: cruzeiro confortável entre 80 e 95 km/h; máxima indicada entre aproximadamente 105 e 115 km/h.

A Bros é a mais leve da comparação entre os pesos secos divulgados. Também possui uma das maiores distâncias livres do solo, com 247 mm. Em ruas ruins, estradas de chão e utilização cotidiana, esse conjunto faz diferença.

Seu estilo é o da trail tradicional brasileira: para-lama elevado, postura ereta, rodas de 19 e 17 polegadas e acabamento sem excessos. Não há pretensão de ser uma pequena big trail. É uma motocicleta funcional, elevada e reconhecida em praticamente qualquer região do país.

A potência é modesta e o câmbio de cinco marchas limita o conforto em rodovia. A 100 km/h, a Bros já trabalha com maior esforço, especialmente com garupa ou bagagem.

Ainda assim, é provavelmente a motocicleta mais fácil de comprar, usar, manter e revender entre as seis. Seu problema é justamente o preço. Uma moto de 14,3 cv custando mais de R$ 23 mil evidencia quanto o consumidor brasileiro paga pela força do emblema Honda.

A Bros não vence pelo desempenho. Vence pela previsibilidade.

YAMAHA CROSSER 150: A MENOS POTENTE, MAS TALVEZ A MAIS PACIENTE

A Yamaha Motor foi fundada no Japão em 1955. No Brasil, iniciou suas atividades em 1970 e tornou-se a primeira fabricante de motocicletas instalada oficialmente no país. Em 2026, portanto, completou 56 anos de presença nacional.

Essa longevidade coloca a Yamaha em uma posição diferente de Dafra, Haojue e Shineray. A marca possui história consolidada, rede nacional, mercado de usados conhecido e reputação mecânica construída ao longo de gerações.

A Crosser 150 utiliza motor flex de 149,3 cm³, refrigerado a ar, com potência de 11,4 cv a gasolina e 11,7 cv com etanol. O torque máximo é de 1,3 kgfm a 6.000 rpm, enquanto o câmbio possui cinco marchas.

Números da Crosser 150: 149,3 cm³; até 11,7 cv; cinco marchas; 137 kg em ordem de marcha; assento a 850 mm; altura total de 1.160 mm; comprimento de 2.050 mm; distância livre do solo de 235 mm; pneu dianteiro 90/90-19; pneu traseiro 110/90-17; tanque de 12 litros.

A Crosser S tem preço sugerido de R$ 22.790, enquanto a versão Z parte de R$ 22.990, sem frete. A Yamaha oferece três anos de garantia.

Velocidade estimada: cruzeiro confortável entre 80 e 90 km/h; máxima indicada entre aproximadamente 105 e 110 km/h.

É a menos potente da comparação. Seus 11,7 cv ficam muito abaixo dos 18 cv da NH 190, dos 16 cv da XRE e até dos 15,63 cv da Shineray.

A Crosser não responde a essa diferença com velocidade, mas com comportamento. A suspensão traseira com sistema de link, a ergonomia e a entrega progressiva do motor produzem uma motocicleta confortável, previsível e econômica para o uso diário.

A versão S apresenta visual mais urbano e para-lama dianteiro baixo. A Z utiliza para-lama alto e elementos que reforçam a proposta aventureira. Em ambos os casos, o desenho é mais funcional do que imponente.

Seu banco de 850 mm é relativamente alto e pode dificultar a vida de pilotos mais baixos. O peso em ordem de marcha de 137 kg também mostra que ela não é tão leve quanto a potência reduzida poderia sugerir.

A Crosser é uma compra racional para quem prioriza confiabilidade, conforto e consumo. Para quem pretende viajar frequentemente com garupa e bagagem, o motor será seu maior limite.

Ela não tenta correr. Sua principal virtude é continuar andando sem transformar cada manutenção em uma surpresa.

HAOJUE NK 150: UMA CHINESA COM HISTÓRIA INDUSTRIAL E SOBRENOME SUZUKI

A Haojue foi fundada na China em 1992 e construiu uma longa parceria industrial com a Suzuki. O grupo mantém fábricas de grande capacidade produtiva e atua em diversos mercados internacionais.

No Brasil, a marca começou a ser comercializada em 2017 por meio da JTZ. Segundo a empresa, sua rede ultrapassou 150 pontos de atendimento e a Haojue chegou ao grupo das marcas mais vendidas do país em 2023.

A NK 150 chegou ao mercado brasileiro em 2022 com a proposta de ocupar o espaço entre as trails populares e os modelos de origem chinesa mais simples.

Seu motor possui 149 cm³, entrega 12 cv a 8.000 rpm e torque de 1,24 kgfm a 6.000 rpm. A refrigeração é a ar, o câmbio tem cinco marchas e o tanque comporta 12,2 litros.

Números da NK 150: 149 cm³; 12 cv; cinco marchas; 139 kg em ordem de marcha; assento a 837 mm; altura total de 1.165 mm; comprimento de 2.070 mm; distância livre do solo de 244 mm; pneu dianteiro 90/90-19; pneu traseiro 110/90-17; tanque de 12,2 litros.

A NK utiliza pneus Pirelli MT60, freio dianteiro com ABS e tambor na traseira. O preço sugerido é de R$ 18.580, sem frete.

Velocidade estimada: cruzeiro confortável entre 80 e 90 km/h; máxima indicada entre aproximadamente 105 e 115 km/h.

O estilo da NK é de uma trail urbana clássica. Não possui o porte visual da SHI 175 nem a aparência tecnológica da NH 190. Sua proposta é mais discreta: suspensão alta, rodas adequadas ao piso ruim e mecânica sem grandes complicações.

A potência de 12 cv é baixa para seu peso. Também causa estranheza uma motocicleta com ABS dianteiro ainda utilizar freio a tambor na roda traseira, especialmente quando concorrentes mais modernas já adotam disco nas duas rodas.

Em compensação, a associação industrial com a Suzuki concede à Haojue uma credibilidade que não pode ser ignorada. A marca não é uma montadora improvisada ou recém-criada. Possui escala, experiência produtiva e histórico internacional.

No Brasil, entretanto, ainda precisa ampliar o reconhecimento, fortalecer o mercado de usados e demonstrar que sua rede será capaz de acompanhar o crescimento das vendas.

A NK 150 é a alternativa de quem deseja pagar menos que em uma japonesa tradicional, mas ainda busca uma empresa com experiência industrial comprovada.

SHINERAY SHI 175: A MAIS BARATA, ALTA E VISUALMENTE OUSADA

A Shineray Group foi fundada na China em 1997. No Brasil, a marca já acumula aproximadamente 18 anos de operação e mantém uma unidade industrial no Complexo de Suape, em Pernambuco. Segundo a própria empresa, a fábrica possui capacidade anual de até 300 mil veículos.

A trajetória brasileira da Shineray é marcada por duas fases. Na primeira, a marca ficou conhecida principalmente por ciclomotores e motocicletas de baixo custo. Na segunda, passou a investir em modelos maiores, rede de concessionárias, novos produtos e uma imagem mais ambiciosa.

A SHI 175 representa essa mudança.

Seu motor monocilíndrico possui 175,11 cm³ e entrega 15,63 cv a 8.500 rpm, com torque máximo de 14 Nm a 6.500 rpm. O câmbio possui cinco marchas, enquanto o tanque de 14,5 litros é o maior desta comparação.

Números da SHI 175: 175,11 cm³; 15,63 cv; cinco marchas; 129 kg de peso seco e aproximadamente 145 kg abastecida; assento a 875 mm; altura total de 1.270 mm; comprimento de 2.080 mm; distância livre do solo de 260 mm; pneu dianteiro 90/90-19; pneu traseiro 110/90-17; tanque de 14,5 litros.

A moto possui iluminação em LED, conexões USB e USB-C e freios a disco nas duas rodas. O preço anunciado é de R$ 16.490, acrescido de aproximadamente R$ 990 de frete e seguro, conforme a condição apresentada pela fabricante.

Velocidade estimada: cruzeiro confortável entre 85 e 95 km/h; máxima indicada entre aproximadamente 110 e 120 km/h.

A SHI 175 é a motocicleta mais alta e com a maior distância livre do solo deste comparativo. O assento a 875 mm exige atenção de pilotos mais baixos. Sua altura total de 1.270 mm e o desenho elevado produzem uma presença visual superior àquela sugerida por seu preço.

É também a mais barata. Mesmo acrescentando o frete indicado, permanece abaixo de NH 190, NK 150, Bros, Crosser e XRE 190.

Sua ficha técnica é competitiva: potência próxima à XRE, grande tanque, dois freios a disco e bom vão livre. A ausência de ABS, entretanto, reduz a vantagem diante de concorrentes que já oferecem o sistema ao menos na roda dianteira.

A Shineray cresceu, ampliou sua presença e deixou de ser uma figurante no mercado nacional. Ainda assim, o consumidor deve avaliar cuidadosamente a concessionária de sua região, a disponibilidade de peças e o histórico de atendimento.

A marca carrega uma percepção antiga de acabamento simples e desvalorização, mas tenta substituí-la por uma nova fase de produtos mais completos. Essa mudança não deve ser ignorada, mas também não pode ser considerada plenamente consolidada apenas porque as vendas aumentaram.

A SHI 175 é a compra mais agressiva pelo preço. Exige, porém, maior diligência antes da assinatura do contrato.

AFINAL, QUAL DELAS É A MELHOR?

A resposta depende menos da motocicleta e mais do risco que cada consumidor aceita assumir.

A MELHOR FICHA TÉCNICA PELO PREÇO

A Dafra NH 190 é a vencedora.

Por R$ 19.990 com frete, entrega 18 cv, seis marchas, refrigeração líquida, pneus mais largos, iluminação em LED e ABS nas duas rodas. Nenhuma das concorrentes oferece uma combinação equivalente pelo mesmo valor.

Sua limitação está fora da motocicleta: rede menor, menor liquidez no mercado de usados e confiança ainda distante das japonesas.

A COMPRA MAIS SEGURA E EQUILIBRADA

A Honda XRE 190 é a escolha de menor risco.

Não é a mais potente, nem a mais barata, nem a mais equipada. É, porém, aquela que melhor combina desempenho suficiente, peso baixo, aptidão para estradas ruins, assistência ampla e facilidade de revenda.

O consumidor paga caro, mas sabe exatamente o que está comprando.

A MELHOR FERRAMENTA PARA O USO DIÁRIO

A Honda Bros 160 continua sendo a referência racional.

É leve, resistente, alta, conhecida por oficinas e fácil de negociar. Seu preço já não corresponde à simplicidade de sua ficha técnica, mas sua praticidade ainda explica o sucesso.

A MELHOR PARA QUEM PRIORIZA CONFORTO E CONFIABILIDADE

A Yamaha Crosser 150 é a motocicleta da paciência.

Seu motor é claramente o mais fraco, mas sua ergonomia, suspensão e reputação mecânica compensam parte dessa deficiência. Serve muito bem à cidade e às viagens tranquilas, mas não foi feita para sustentar altas velocidades com carga.

A ALTERNATIVA MAIS DISCRETA E INDUSTRIALMENTE CONFIÁVEL

A Haojue NK 150 ocupa um espaço interessante.

Custa menos que Honda e Yamaha, possui origem industrial respeitável e se beneficia da longa parceria da fabricante com a Suzuki. Falta motor, um freio traseiro mais moderno e maior consolidação nacional.

A MAIS BARATA E OUSADA

A Shineray SHI 175 oferece muito tamanho e potência pelo menor preço.

É alta, possui grande tanque e visual de trail legítima. A ausência de ABS e as dúvidas sobre revenda, peças e uniformidade do pós-venda exigem mais cautela.

O VEREDITO

Se a decisão fosse tomada apenas diante da ficha técnica, a Dafra NH 190 venceria com facilidade.

Se a escolha considerasse exclusivamente rede, revenda e tranquilidade, Honda XRE 190 e Bros 160 dominariam a conversa.

Se o comprador buscasse confiabilidade japonesa e conforto, aceitando abrir mão de desempenho, a Crosser seria uma candidata natural.

A Haojue oferece uma alternativa racional para quem confia em sua tradição industrial, enquanto a Shineray aposta no preço para convencer o consumidor a participar de sua transformação.

No fim, a estrada revela aquilo que o catálogo tenta esconder: potência impressiona na primeira acelerada, mas assistência, peças, manutenção e revenda acompanham o proprietário durante anos.

A melhor motocicleta não é necessariamente aquela que chega primeiro ao destino. É aquela que permite ao dono viajar, trabalhar e voltar para casa sem transformar cada quilômetro em uma preocupação.

Comentários


bottom of page