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BMW R 1300 GS, TRIUMPH TIGER 1200, DUCATI MULTISTRADA V4 S OU HARLEY-DAVIDSON PAN AMERICA?

  • Foto do escritor: Vinícius Brandão
    Vinícius Brandão
  • há 2 dias
  • 16 min de leitura

Quatro big trails premium vendidas no Brasil, quatro motores completamente diferentes e uma disputa que vai muito além da potência

A BMW R 1300 GS continua sendo a motocicleta que praticamente obriga todas as grandes fabricantes a mostrarem o que têm de melhor no segmento adventure premium. Ela não é necessariamente a mais potente, a mais tecnológica em todos os itens ou a mais barata, mas permanece como a referência contra a qual as demais são comparadas.

No mercado brasileiro de 2026, três adversárias enfrentam a alemã com argumentos reais: a Triumph Tiger 1200 Alpine Edition, a Ducati Multistrada V4 S e a Harley-Davidson Pan America 1250 Special.

São quatro motocicletas capazes de viajar com garupa e bagagem, enfrentar estradas ruins, percorrer longas distâncias e superar com enorme folga qualquer limite rodoviário brasileiro. As semelhanças, porém, terminam aí.

A BMW utiliza motor boxer bicilíndrico, a Triumph aposta em três cilindros, a Ducati traz um V4 derivado de sua tradição esportiva e a Harley-Davidson emprega um moderno V-Twin, muito diferente dos motores refrigerados a ar que construíram a história da marca americana.

Este comparativo considera as versões atualmente apresentadas pelas fabricantes no Brasil em agosto de 2026. Os preços são públicos sugeridos, sujeitos a frete, disponibilidade, cor, equipamentos, negociação e atualização pelas montadoras.

OS PREÇOS NO BRASIL

A Triumph Tiger 1200 Alpine Edition aparece como a mais barata do grupo, anunciada a partir de R$ 99.990. A BMW R 1300 GS é apresentada em sua página específica a partir de R$ 115.990, embora o valor aumente significativamente quando se escolhem versões Premium, suspensão eletrônica, radares e câmbio automatizado ASA. A Harley-Davidson Pan America 1250 Special 2026 parte de R$ 139.000.

A página brasileira da Ducati apresentava a Multistrada V4 S a partir de R$ 149.990, valor indicado como válido até 31 de julho de 2026 e sem frete. Como esta matéria é posterior ao encerramento daquela validade, o número deve ser entendido como o último preço oficial publicado e precisa ser confirmado diretamente com a concessionária.

A simples comparação de preços, contudo, pode induzir ao erro. A BMW anunciada pelo valor inicial não possui necessariamente todos os recursos encontrados nas versões Premium. A Triumph Alpine já nasce baseada na GT Pro e recebe equipamentos oriundos das antigas configurações Explorer. A Ducati chega com um pacote eletrônico muito amplo, enquanto alguns recursos da Harley, como rodas raiadas e altura adaptativa, podem depender da configuração escolhida.

BMW R 1300 GS: A REFERÊNCIA PELO EQUILÍBRIO

A R 1300 GS utiliza um motor boxer de dois cilindros opostos, 1.300 cc, oito válvulas e arrefecimento misto. Entrega 145 cv a 7.750 rpm e 149 Nm a 6.500 rpm. A BMW declara aceleração de zero a 100 km/h em 3,39 segundos e velocidade máxima superior a 200 km/h. A transmissão possui seis marchas e o acionamento final é realizado por eixo cardã.

Ela não tem a maior potência do comparativo, mas apresenta o maior torque máximo. Mais importante do que o número isolado é a forma como essa força aparece. O boxer entrega resposta vigorosa em baixas e médias rotações, exatamente onde uma motocicleta pesada passa a maior parte do tempo em viagens, ultrapassagens e retomadas.

É possível sair de uma curva em marcha mais alta, acelerar sem reduzir tantas vezes e sentir a motocicleta avançar com força imediata. A Ducati é mais veloz quando o motor sobe de giro, mas a BMW transmite mais sensação de músculo nas rotações intermediárias.

A GS pesa 237 kg em ordem de marcha, considerando fluidos e 90% dos 19 litros de combustível. O banco varia, conforme a versão, entre 820 e 850 mm. As suspensões oferecem 190 mm de curso dianteiro e 200 mm na traseira.

O número do peso merece atenção porque é medido com a motocicleta praticamente pronta para rodar. A Ducati divulga 232 kg sem combustível, portanto não é correto concluir que a italiana seja necessariamente cinco quilos mais leve apenas colocando as duas fichas técnicas lado a lado.

POR QUE A BMW PARECE MAIS LEVE DO QUE É

O grande segredo da GS não está apenas na balança. Os cilindros boxer ficam posicionados horizontalmente e ajudam a concentrar massa em uma região mais baixa. O resultado é uma motocicleta que tende a parecer menor quando começa a se movimentar.

Em manobras completamente paradas, os 237 kg continuam presentes. Depois que a moto sai do lugar, porém, o centro de gravidade baixo, o guidão largo e a geometria do chassi fazem com que ela se comporte como uma motocicleta de categoria inferior.

O conjunto dianteiro Telelever também diferencia a BMW. Em vez de depender exclusivamente de um garfo telescópico convencional, a arquitetura separa parte das funções de direção e suspensão. Na prática, reduz o mergulho da dianteira nas frenagens e mantém a geometria mais estável.

Alguns pilotos adoram essa neutralidade. Outros preferem a comunicação mais direta de um garfo convencional, como o utilizado pela Ducati. A BMW transmite enorme segurança, mas filtra parte da sensação tradicional da roda dianteira.

ELETRÔNICA DA GS

Todas as versões brasileiras incluem ABS Pro integral, controle de tração dinâmico, controle do freio-motor, assistente de partida em subida, piloto automático convencional, monitoramento da pressão dos pneus, manoplas aquecidas, chave presencial, painel TFT conectado e modos Eco, Rain, Road e Enduro. A garantia divulgada é de três anos.

Nas configurações Premium aparecem suspensão eletrônica com ajuste automático de altura, para-brisa elétrico, modos Pro, farol Pro e sistemas como controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão frontal e aviso de mudança de faixa. A BMW também oferece o Automated Shift Assistant — ASA, que automatiza a embreagem e pode realizar as trocas de marcha sem intervenção do piloto.

Não se trata simplesmente de um quickshifter. No ASA, a motocicleta pode sair, parar e trocar marchas sem que o piloto precise acionar manualmente a embreagem. Ainda é possível comandar as marchas pelo pedal ou deixar o sistema trabalhar de forma automática.

PONTOS FORTES DA BMW

A GS é a mais equilibrada do conjunto. Tem torque abundante, baixo centro de gravidade, boa capacidade fora do asfalto, cardã, ergonomia madura e comportamento previsível.

Ela também é a moto que melhor disfarça suas dimensões quando está em movimento. Não vence a Ducati em potência nem entrega o custo-benefício inicial da Triumph, mas praticamente não possui um ponto fraco grave dentro de sua proposta.

PONTOS FRACOS DA BMW

A versão realmente comparável às rivais mais equipadas custa mais do que o preço inicial anunciado. O catálogo de pacotes, versões e opcionais pode transformar uma GS aparentemente competitiva em uma motocicleta bastante mais cara.

Os cilindros laterais aumentam a largura do conjunto e ficam expostos em tombos. Protetores são recomendáveis para quem pretende enfrentar terra. O Telelever também exige adaptação de quem busca uma dianteira com comunicação semelhante à de uma motocicleta esportiva convencional.

TRIUMPH TIGER 1200 ALPINE EDITION: A MELHOR RELAÇÃO ENTRE PREÇO E EQUIPAMENTO

A Tiger 1200 Alpine Edition é derivada da configuração GT Pro e possui uma proposta prioritariamente estradeira. Ela utiliza motor tricilíndrico de 1.160 cc, com virabrequim T-Plane, 150 cv a 9.000 rpm e 130 Nm a 7.000 rpm. A transmissão tem seis marchas e acionamento final por cardã.

O motor Triumph ocupa uma posição intermediária interessante. Ele não tem a explosão em alta da Ducati nem o mesmo torque máximo da BMW, mas combina força em baixa, suavidade em velocidade constante e disposição para subir de giro.

O virabrequim T-Plane altera os intervalos de ignição para produzir uma entrega semelhante, em determinados aspectos, à tração de um bicilíndrico, preservando parte da elasticidade típica dos motores de três cilindros. A sensação é de um motor com personalidade, pulsação e um ronco muito particular.

A versão GT Pro, que serve de base à Alpine, utiliza rodas de liga leve de 19 polegadas na dianteira e 18 na traseira, suspensões Showa semiativas com aproximadamente 200 mm de curso, freios Brembo e painel TFT de sete polegadas. O peso declarado da plataforma GT Pro fica próximo de 245 kg abastecida, com tanque de 20 litros e banco ajustável na região de 850 a 870 mm.

A suspensão possui ajuste eletrônico e redução ativa de pré-carga. Quando a moto desacelera e para, o sistema pode reduzir a altura em até 20 mm, dependendo do peso do piloto, passageiro e bagagem.

O DIFERENCIAL DA ALPINE

A Alpine Edition incorpora radar traseiro, assistente de ponto cego e alerta de mudança de faixa. Também reúne equipamentos voltados às viagens, proteção do motor, assentos aquecidos, manoplas aquecidas e recursos anteriormente associados às versões Explorer.

É um pacote muito completo pelo preço sugerido de R$ 99.990. Entre as quatro motocicletas, é a que apresenta o argumento financeiro mais forte.

Ela oferece 150 cv, cardã, suspensão eletrônica, freios de alto nível, radar traseiro e garantia de três anos com quilometragem ilimitada. A Triumph informa revisões a cada 16 mil quilômetros ou 12 meses, o que também favorece quem viaja bastante.

COMPORTAMENTO NA ESTRADA

A Tiger tem postura alta, boa proteção aerodinâmica e estabilidade em longas curvas. O motor tricilíndrico trabalha suavemente em velocidade constante, mas mantém uma resposta forte quando solicitado.

A roda traseira de 18 polegadas, em vez da tradicional combinação 19/17 usada pela BMW, Ducati e Harley, contribui para sua identidade adventure. A versão Alpine, porém, utiliza roda dianteira de 19 polegadas e pneus prioritariamente estradeiros.

Quem pretende enfrentar terra com frequência encontrará uma Triumph mais adequada na Tiger 1200 Desert Edition, com roda dianteira de 21 polegadas e maior direcionamento ao uso off-road. A Alpine é a adversária da GS para o comprador que permanece majoritariamente no asfalto.

PONTOS FORTES DA TRIUMPH

A Tiger é a melhor compra racional considerando preço inicial, potência, cardã, suspensão semiativa, conforto e equipamentos.

Seu intervalo de manutenção de 16 mil quilômetros é o maior entre os valores claramente divulgados para as quatro no Brasil, com exceção de serviços específicos da Ducati. A garantia de três anos sem limite de quilometragem também merece destaque.

PONTOS FRACOS DA TRIUMPH

A massa fica posicionada mais alta do que na BMW. Em baixa velocidade, a Tiger pode parecer maior e mais pesada do que a GS, mesmo quando os números da balança não estão muito distantes.

O sistema de radar é traseiro. A BMW Premium e a Ducati podem oferecer controle de cruzeiro adaptativo com radar dianteiro, enquanto a Alpine se concentra no monitoramento de ponto cego e aproximação lateral.

A edição também tem clara orientação estradeira. Para terra pesada, roda dianteira de 21 polegadas, pneus apropriados e configuração Desert são escolhas mais coerentes.

DUCATI MULTISTRADA V4 S: A SUPERBIKE DISFARÇADA DE BIG TRAIL

A Multistrada V4 S é a mais potente do comparativo. Seu motor V4 Granturismo de 1.158 cc entrega 170 cv a 10.750 rpm e 124 Nm a 9.000 rpm. A transmissão possui seis marchas, quickshifter bidirecional e acionamento final por corrente.

A diferença de personalidade é imediata. A BMW, a Triumph e a Harley valorizam força em baixa e média rotação. A Ducati também funciona bem nessas faixas, mas revela sua verdadeira natureza quando o conta-giros avança.

Ela entrega 25 cv a mais que a BMW e 20 cv a mais que Triumph e Harley. Em acelerações longas, retomadas em alta velocidade e condução esportiva, é a motocicleta mais rápida do grupo.

A Multistrada utiliza quadro monocoque de alumínio, rodas de liga leve de 19 polegadas na dianteira e 17 na traseira, suspensão eletrônica Ducati Skyhook com 170 mm de curso dianteiro e 180 mm traseiro, além de pinças Brembo Stylema e discos dianteiros de 330 mm.

O peso divulgado é de 232 kg sem combustível, e o tanque comporta 22 litros. O banco original pode ser regulado entre 840 e 860 mm, mas a Ducati oferece combinações de bancos e suspensão reduzida capazes de levar a altura a uma faixa entre 795 e 815 mm.

A MAIS ESPORTIVA

A Multistrada é a que mais se aproxima de uma sport-touring de guidão alto. O chassi responde rapidamente, a frenagem tem potência de motocicleta esportiva e o V4 continua acelerando onde os demais motores já começam a perder fôlego.

Em uma estrada sinuosa e bem pavimentada, é a moto mais emocionante. A BMW provavelmente permitirá rodar rápido com menos esforço, mas a Ducati recompensa mais o piloto que participa ativamente da condução.

Seu virabrequim contra-rotativo ajuda a reduzir parte do efeito giroscópico das rodas e dos componentes internos, favorecendo mudanças de direção. A relação peso-potência também é a mais agressiva do grupo, embora a comparação exata seja prejudicada porque as fabricantes utilizam critérios diferentes para declarar peso.

ELETRÔNICA E RADARES

A Multistrada reúne modos de pilotagem e potência, ABS em curvas, controle de tração, controle de empinada, controle de saída, freio-motor, assistente de partida em subida, faróis direcionais e suspensão semiativa Skyhook.

O catálogo brasileiro também apresenta sistema de radar. Dependendo do pacote, ele permite controle de cruzeiro adaptativo e monitoramento de ponto cego. O painel TFT de 6,5 polegadas possui conectividade, navegação e comandos iluminados.

A suspensão utiliza o sistema Ducati Vehicle Observer e ajusta suas respostas em tempo real. A fabricante informa que o conjunto consegue antecipar e administrar alterações de piso, buracos e lombadas, além de adaptar a motocicleta ao estilo de pilotagem e à carga.

MANUTENÇÃO

A Ducati estabelece serviço anual, troca de óleo a cada 15 mil quilômetros ou 24 meses e verificação de folga das válvulas somente aos 60 mil quilômetros. Esse intervalo de válvulas é um argumento importante contra a antiga percepção de que toda Ducati exige intervenção frequente no motor.

Existe, porém, uma divergência nos próprios materiais oficiais brasileiros. A página técnica informa garantia de 24 meses, enquanto o comunicado de lançamento da nova V4 S afirma que o modelo produzido no Brasil foi lançado com quatro anos de garantia de fábrica. Essa condição precisa constar expressamente na proposta e no documento de venda para evitar dúvida contratual.

PONTOS FORTES DA DUCATI

É a mais potente, mais esportiva e mais intensa. Possui a melhor frenagem do conjunto para uso esportivo, sofisticada suspensão eletrônica, ampla possibilidade de redução da altura e um dos pacotes eletrônicos mais avançados do segmento.

Também oferece o maior tanque entre as quatro analisadas, com 22 litros, embora o consumo do V4 possa reduzir essa vantagem em autonomia.

PONTOS FRACOS DA DUCATI

É a mais cara pelo último preço oficial publicado. Utiliza corrente, enquanto BMW e Triumph usam cardã. Isso significa necessidade de limpeza, lubrificação e ajuste, especialmente após chuva, poeira ou longas viagens.

O motor V4 trabalha em rotações mais altas para entregar torque e potência máximos. Para quem busca condução tranquila, força imediata e poucas trocas de marcha, a BMW pode ser mais agradável.

A Multistrada V4 S aceita estradas de terra, mas suas rodas de liga, cursos de suspensão menores e prioridade esportiva mostram que seu habitat preferencial continua sendo o asfalto. Para aventuras mais severas, a V4 Rally é a versão Ducati mais apropriada.

HARLEY-DAVIDSON PAN AMERICA 1250 SPECIAL: A AMERICANA QUE ROMPEU COM A TRADIÇÃO

A Pan America 1250 Special é a maior ruptura técnica promovida pela Harley-Davidson em décadas. Seu motor Revolution Max V-Twin de 1.252 cc é refrigerado a líquido, possui comando variável e entrega aproximadamente 150 cv e 129 Nm. A ficha brasileira registra 110 kW, equivalentes a aproximadamente 150 cv, a 8.750 rpm, além de 129 Nm a 6.750 rpm.

Não é um motor Harley tradicional colocado em uma big trail. O Revolution Max foi desenvolvido para trabalhar em rotações mais elevadas, produzir potência específica e atender às exigências de uma motocicleta adventure moderna.

Ele mantém a pulsação e o caráter de um V-Twin, mas entrega desempenho muito mais próximo de Triumph e BMW do que das cruisers da marca.

A Pan America pesa 263 kg em ordem de marcha, possui tanque de 21,2 litros, banco ajustável entre 850 e 875 mm, rodas de 19 e 17 polegadas e distância livre do solo de 175 mm. A transmissão final é realizada por corrente.

É a mais pesada do grupo considerando os pesos declarados em condição de funcionamento. Seus 26 kg adicionais em relação à BMW aparecem principalmente em manobras, retornos apertados e deslocamentos de garagem.

A ALTURA ADAPTATIVA

A Harley foi uma das primeiras fabricantes a transformar o rebaixamento automático em um grande argumento comercial. O sistema Adaptive Ride Height reduz a altura da motocicleta ao parar e retorna à posição normal durante o deslocamento.

Isso não torna a moto leve, mas ajuda o piloto a apoiar melhor os pés no chão. Para pessoas de menor estatura ou que viajam com garupa e bagagem, o recurso pode aumentar significativamente a confiança.

O sistema é tratado como opcional em parte da documentação, portanto precisa ser confirmado na configuração efetivamente oferecida pela concessionária. A mesma atenção vale para as rodas raiadas sem câmara, que aparecem como opcionais na ficha brasileira.

SUSPENSÃO E ELETRÔNICA

A Pan America Special possui suspensão semiativa, pré-carga eletrônica automática, ABS otimizado para curvas, freios combinados eletronicamente, controle de tração, controle de derrapagem durante reduções, monitoramento de pressão dos pneus e assistente de partida em subida.

O farol adaptativo utiliza segmentos de LED para iluminar progressivamente o interior da curva conforme a motocicleta inclina. O painel TFT sensível ao toque possui 6,8 polegadas, conectividade Bluetooth, navegação pelo aplicativo da Harley e grande área de visualização.

A Harley não oferece o mesmo conjunto de radares dianteiro e traseiro encontrado nas versões superiores de BMW e Ducati. Sua eletrônica está concentrada no controle dinâmico da motocicleta, suspensão, frenagem e conectividade.

PONTOS FORTES DA HARLEY

A Pan America tem um motor forte, boa estabilidade, excelente conforto de viagem e uma posição de pilotagem espaçosa. É uma opção interessante para pilotos altos, garupa e longos deslocamentos.

O sistema de altura adaptativa é um dos melhores recursos disponíveis em uma big trail pesada. A moto também possui personalidade visual própria e não tenta imitar diretamente a BMW.

PONTOS FRACOS DA HARLEY

Os 263 kg representam sua maior limitação. No asfalto em movimento, a suspensão e o motor administram bem o peso. Em terrenos escorregadios, valetas, areia, estacionamento e manobras de baixa velocidade, porém, a diferença aparece.

A distância do solo de 175 mm também é inferior ao que se espera de algumas big trails mais orientadas ao off-road. Ela enfrenta estradas de terra, mas exige mais técnica e força física do piloto.

A corrente demanda manutenção periódica, e as rodas raiadas sem câmara não são necessariamente equipamento padrão em todas as unidades.

QUAL TEM O MELHOR MOTOR?

EM POTÊNCIA: DUCATI

Com 170 cv, a Multistrada V4 S é a vencedora absoluta em potência. Ela acelera com mais intensidade em alta rotação e oferece o maior potencial esportivo.

EM TORQUE: BMW

A R 1300 GS entrega 149 Nm, contra 130 Nm da Triumph, 129 Nm da Harley e 124 Nm da Ducati. Também atinge o torque máximo em rotação mais baixa que a italiana.

EM EQUILÍBRIO: TRIUMPH

O tricilíndrico combina boa força em baixa, suavidade de funcionamento e capacidade de subir de giro. Não domina nenhuma coluna isoladamente, mas funciona muito bem em quase todas as situações.

EM PERSONALIDADE: HARLEY-DAVIDSON

O Revolution Max oferece vibração, pulsação e identidade sem sacrificar desempenho. É um motor muito mais moderno do que muitos consumidores esperam encontrar em uma Harley.

QUAL É MELHOR NA ESTRADA?

Para viajar de maneira rápida, confortável e previsível, BMW e Triumph formam o confronto mais equilibrado.

A BMW exige menos esforço do piloto. O Telelever reduz o mergulho da dianteira, o boxer entrega força imediata e o baixo centro de gravidade facilita correções.

A Triumph oferece maior sensação tradicional de pilotagem, excelente estabilidade e um motor mais musical. Pelo preço, é difícil encontrar outra big trail com combinação semelhante de potência, cardã, suspensão eletrônica e equipamentos.

A Ducati é superior quando a viagem inclui serras, curvas e pilotagem esportiva. Ela transforma uma estrada sinuosa em uma experiência próxima à de uma motocicleta esportiva, mas com posição confortável.

A Harley é a melhor para quem aprecia uma motocicleta grande, estável, espaçosa e com presença. Em viagens longas, sua massa ajuda na estabilidade, mas cobra esforço nas paradas.

QUAL É MELHOR PARA GARUPA?

A BMW apresenta ergonomia madura, banco confortável nas versões Premium, suspensão que se adapta à carga e ampla oferta de malas.

A Triumph Alpine recebe bancos aquecidos para piloto e passageiro e possui suspensão com ajuste eletrônico de pré-carga. É uma das opções mais completas para viagens em casal.

A Ducati reposicionou os suportes das malas e do top case para aumentar o espaço do passageiro. Sua suspensão Skyhook também administra bem variações de peso e carga.

A Harley oferece assento amplo e muito espaço físico, mas o peso total com garupa, combustível e bagagem pode tornar manobras delicadas mais trabalhosas.

Minha leitura é que BMW e Triumph são as mais equilibradas para viajar a dois, a Ducati é a melhor para o casal que gosta de desempenho esportivo e a Harley atende especialmente bem pilotos grandes que valorizam espaço.

QUAL É MELHOR NA CIDADE?

Nenhuma delas é uma motocicleta urbana racional. São caras, largas, quentes, potentes e pesadas para congestionamentos, corredores estreitos e estacionamentos inclinados.

Entre elas, a BMW é a que melhor esconde o peso quando começa a andar. A suspensão com ajuste de altura e o ASA também podem tornar a utilização cotidiana mais fácil.

A Ducati oferece o banco mais baixo quando equipada com os acessórios corretos e possui redução automática da suspensão. Seu V4, porém, continua sendo um conjunto desenvolvido para performance.

A Triumph é bem equilibrada, mas mantém massa elevada. A Harley é a mais difícil em espaços apertados devido aos 263 kg e à distância entre eixos de 1.585 mm.

QUAL É MELHOR NA TERRA?

Considerando exatamente estas quatro versões, a BMW R 1300 GS é a mais equilibrada fora do asfalto. Tem cursos de suspensão generosos, bom controle eletrônico, torque em baixa e experiência acumulada de projeto.

A Pan America Special possui capacidade off-road legítima, suspensão semiativa e modos eletrônicos eficientes, mas seu peso e a distância do solo exigem atenção.

A Triumph Alpine consegue enfrentar terra, mas é a versão estradeira da família. A Tiger 1200 Desert, com roda dianteira de 21 polegadas, seria a adversária mais correta para uma comparação focada em trilhas.

A Multistrada V4 S também atravessa estradas ruins, cascalho e terra batida, mas rodas de liga leve, pneus estradeiros e menores cursos de suspensão limitam seu interesse por terrenos realmente difíceis.

CONSUMO E AUTONOMIA

A BMW declara consumo homologado de aproximadamente 4,8 litros por 100 quilômetros, equivalente a cerca de 20,8 km/l. Com 19 litros, a autonomia teórica se aproxima de 395 quilômetros, embora velocidade, carga, vento e combustível brasileiro possam reduzir significativamente esse resultado.

A Harley declara 5,5 litros por 100 quilômetros, aproximadamente 18,2 km/l. Seu tanque de 21,2 litros produz autonomia teórica próxima de 385 quilômetros.

A família V4 Granturismo apresenta consumo homologado na região de 6,6 litros por 100 quilômetros, aproximadamente 15,2 km/l. Com 22 litros, a autonomia matemática fica próxima de 330 quilômetros. O sistema de desativação de cilindros busca reduzir o consumo em baixa demanda e também atua durante o deslocamento.

Na Triumph, o resultado depende da configuração, condução e homologação de mercado. Seu tanque de 20 litros coloca a autonomia no mesmo universo das demais, mas não seria responsável publicar uma média brasileira exata sem um ensaio padronizado com as quatro motocicletas nas mesmas condições.

CARDÃ OU CORRENTE?

BMW e Triumph usam cardã. Ducati e Harley utilizam corrente.

O cardã reduz a rotina de limpeza, lubrificação e regulagem. É especialmente conveniente para quem viaja sob chuva, poeira e longas distâncias. Isso não significa ausência de manutenção: óleo, retentores, folgas, cruzetas e componentes internos continuam exigindo inspeção.

A corrente é mais leve, simples e eficiente na transmissão de potência. Também permite alterações de relação com maior facilidade, mas exige cuidado frequente e pode lançar lubrificante na roda e na balança.

Para turismo de longa distância, o cardã de BMW e Triumph é uma vantagem objetiva de conveniência. Para condução esportiva, peso e resposta direta, a solução por corrente da Ducati faz sentido.

RESULTADO POR CATEGORIA

Maior potência: Ducati Multistrada V4 S.

Maior torque: BMW R 1300 GS.

Melhor relação entre preço e equipamentos: Triumph Tiger 1200 Alpine Edition.

Melhor equilíbrio geral: BMW R 1300 GS.

Mais esportiva: Ducati Multistrada V4 S.

Mais confortável e espaçosa para pilotos grandes: Harley-Davidson Pan America 1250 Special.

Melhor para viagens prioritariamente rodoviárias: BMW ou Triumph.

Melhor para estradas sinuosas: Ducati.

Mais adequada à terra entre estas quatro versões: BMW.

Mais fácil de manter no uso diário da transmissão: BMW e Triumph, pelo cardã.

Maior personalidade mecânica e visual: Harley-Davidson.

QUAL EU COMPRARIA?

A resposta depende menos do dinheiro disponível e mais da personalidade do piloto.

Para quem quer uma motocicleta que faça tudo bem, viaje, curve, atravesse terra, carregue malas e permaneça fácil de conduzir, a BMW R 1300 GS continua sendo a referência. Ela não é a melhor em todos os números, mas é a que reúne menos compromissos.

Para quem deseja gastar menos e levar uma big trail de 150 cv, cardã, suspensão semiativa, radar traseiro, bancos aquecidos e garantia de três anos, a Triumph Tiger 1200 Alpine Edition é a compra mais racional.

Para quem considera uma big trail uma motocicleta esportiva com pernas longas, a Ducati Multistrada V4 S é incomparável. Ela custa mais, consome mais e exige corrente, mas entrega um nível de aceleração, frenagem e emoção que nenhuma das outras alcança.

Para quem quer uma moto grande, diferente, confortável e com personalidade própria, a Harley-Davidson Pan America 1250 Special é a escolha emocional. Seu motor é excelente e sua tecnologia surpreende, mas o piloto precisa aceitar o maior peso do grupo.

A BMW vence pelo conjunto. A Triumph vence pelo custo-benefício. A Ducati vence pela emoção. A Harley vence pela personalidade e essa talvez seja a melhor conclusão possível: nenhuma das quatro é simplesmente melhor em tudo. Cada uma representa uma maneira diferente de entender a mesma viagem.

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